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A tendência mundial de redução das emissões de CO2 na atmosfera, aliada à crescente escassez de petróleo e ao aumento da consciência ambiental, tem impulsionado a criação de fins ecologicamente lucrativos ao plástico

Por Fernanda Pajares

Vivemos na era do plástico. Não temos como negar. Presente nas escovas de dente, nas solas dos sapatos, nas embalagens dos alimentos e nos carros, o plástico – nas suas diversas formas e sob diferentes nomes – tornou-se um produto onipresente em nosso dia a dia. Importantes setores da economia, como os de construção civil, automóveis, brinquedos, saúde, o têxtil, o alimentício e o de eletroeletrônicos incorporam, cada vez mais, esse produto em detrimento de outros materiais. Os motivos? Seu baixo custo, durabilidade e, principalmente, por se tratar de um produto 100% reciclável.

Tudo que consumimos provém da natureza, e o plástico não fica de fora. Para começar, a origem da palavra “plástico” vem do grego plastikó, o que significa “adequação à moldagem”, até por se tratar de um material extremamente flexível. A principal fonte de matéria-prima desse produto é o petróleo, sendo que sua fabricação absorve, hoje, cerca de 3% da produção mundial – o equivalente a 100 mil toneladas/ano.

Segundo o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente – organização não governamental focada na conscientização e mobilização do cidadão brasileiro quanto às questões de sustentabilidade e meio ambiente – a reciclagem de 100 toneladas de plástico resulta em uma economia de 1 tonelada de petróleo. Nessa relação politicamente correta, ambos os lados são beneficiados: a natureza é preservada na mesma medida em que os gastos diminuem.

Desde a década de 70, os cuidados com o meio ambiente passaram a ser uma das grandes preocupações mundiais, principalmente por causa do aumento da produção de lixo, resultado da proliferação das embalagens e produtos descartáveis. A partir de então, o termo “reciclagem” ganhou um significado ecológico, visto que as substâncias jogadas no lixo podiam tornar-se úteis para serem reinseridas no mercado. Resultado? Um destino final ecologicamente lucrativo aos resíduos.

A partir dos anos 90, alguns fatores contribuíram decisivamente para que a indústria mundial passasse a se preocupar com os produtos descartados no meio ambiente. Além da criação de importantes leis ambientais, houve também um aumento nas campanhas de consumo consciente. Agora, os cuidados com a preservação da natureza seguem uma via de mão única, por onde trafega também o exercício de cidadania.

TECNOLOGIA A SERVIÇO DO PLÁSTICO  

O conceito de matérias-primas retornáveis está bem estabelecido na Tetra Pak, empresa líder mundial no fornecimento de embalagens longa vida. Desde 1996, a empresa incentiva a coleta seletiva e investe na reciclagem de suas embalagens. Em 2005, na cidade de Piracicaba, interior paulista, a Tetra Pak inaugurou a primeira fábrica com forno de plasma – tecnologia que permite a separação total do alumínio e do plástico que compõem a embalagem longa vida. Segundo dados fornecidos pela empresa, a construção da fábrica consumiu investimentos de R$ 12 milhões. A unidade tem capacidade para processar 8 mil toneladas por ano de plástico e alumínio – o que equivale à reciclagem de 32 mil toneladas de embalagens longa vida.

As inovações tecnológicas com o plástico também chegaram ao campo da telefonia móvel. Em junho de 2009, a fabricante de celular Sony Ericsson lançou dois modelos “verdes”. Além de serem vendidos em caixas menores, os modelos C901 GreenHeart e Naite, da família GreenHeart (“coração verde”, em inglês), possuem manuais eletrônicos – o que evita o desperdício de papel – e são feitos com 50% de plástico reciclável. Desde 2006, a Nokia, o maior fabricante de aparelhos celulares do mundo, utiliza embalagens com credenciais  verdes, proporcionando uma economia de 100 milhões de euros. Já em 2008, a empresa lançou um aparelho revestido de material reciclável, o 3110 Evolve.

A aceleração tecnológica e o seu reflexo direto na destruição do meio ambiente têm também impulsionado inúmeros arquitetos a buscar soluções sustentáveis para a decoração dos ambientes. A proposta ecológica abrange desde o projeto de construção ou reforma de uma casa, com a escolha correta de materiais alternativos, até a opção por eletrodomésticos e outros produtos que proporcionem benefícios reais à natureza. Diante dessa situação, o acrílico ecológico feito com plástico reciclável entrou com força total na decoração e ajudou a dar forma e popularizar móveis e luminárias.

Pensando em colaborar com esse movimento sustentável, a By Art Design, empresa pioneira na fabricação de móveis acrílicos, incluiu em sua fabricação peças feitas com material reciclável. De acordo com seu proprietário, Thiago Schwarz, proprietário empresa, a diferença é quase imperceptível:  “No processo chamado craquelação, o acrílico é queimado e reutilizado. A diferença no resultado final é insignificante. Somente na coloração transparente, que se torna mais opaca depois da craquelação é que se torna possível perceber a diferença entre o reciclado e o não reciclado”. Thiago ainda explica que, como todo produto verde, os móveis feitos de acrílico reciclado são mais caros. No entanto, o consumidor tem optado pelos produtos que contribuem com a natureza.

NATUREZA PEDE: 100% RENOVÁVEL  

Como o plástico é um material indispensável na vida moderna, tornar sua distribuição mais sustentável pode ter um impacto positivo para o meio ambiente. Para se ter uma ideia, o consumo anual de plástico no mundo inteiro cresceu 20 vezes desde os anos 50 – um total de 150 milhões de toneladas. Os plásticos verdes ou não poluentes aliviam em grande medida esses impactos negativos. Em 2007, a tendência econômica e social, cada vez mais favorável ao uso de matérias-primas de fonte renovável, impulsionou a Braskem, petroquímica brasileira líder em resinas termoplásticas na América Latina, a lançar no mercado o primeiro polietileno produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar, matéria-prima 100% renovável. Com investimentos superiores a R$ 330 milhões a Braskem é a primeira empresa brasileira a produzir um polietileno verde.  

O primeiro plástico com essa característica está saindo do forno. A primeira usina começará a operar no segundo semestre deste ano e terá uma capacidade de 200 mil toneladas/ano – o que equivale a 0,5% da produção global de polietileno. “Hoje, se tivéssemos condições de produzir 1 milhão de toneladas de polietileno verde, seguramente teríamos mercado”, afirmou Bernardo Gradin, presidente da Braskem, durante um evento sobre o plástico realizado em São Paulo no ano passado.

Ainda segundo ele a demanda para os próximos anos poderá triplicar. Atualmente, a Braskem opera apenas uma fábrica-piloto em Triunfo (RS), com capacidade de 12 toneladas anuais. Os plásticos de fontes renováveis já despertam o interesse de diversas companhias, entre elas, a Toyota Tsusho, trade company da Toyota Corporation, parceira da Braskem desde 2008 na comercialização de 50 mil toneladas do polietileno verde na Ásia. No Brasil, a empresa também acertou com a Brinquedos Estrela, que usará a resina em um dos seus jogos mais populares, o Banco Imobiliário.
Nesse ano, a Johnson & Johnson, empresa norte-americana de produtos de saúde e cuidados pessoais, também utilizará o polietileno verde fornecido pela Braskemnas embalagens dos protetores solares Sundown. A J&J será a primeira marca de cosméticos do Brasil a iniciar o desenvolvimento de embalagens com polietileno verde. “No que diz respeito a embalagens, possuímos diversos projetos de utilização de material reciclado pré e pós-consumo, mas a utilização da resina verde é uma ação inédita da companhia em todo o mundo”, afirmou em nota o gerente do grupo de Suncare da Johnson & Johnson, Marcelo Scatolini.

Já em 2008, a Dow Química, empresa norte-americana atuante no Brasil desde 1956, e a Crystalsev, controlada pela Santelisa Vale, aproveitaram o boom do mercado de plástico no País para assinar um acordo de grandes proporções, dando início a uma joint venture. A meta é construir o primeiro pólo alcool-químico integrado do mundo para produzir, em escala global, polietileno a partir do etanol da cana-de-açúcar.

No momento, as empresas estão montando a primeira usina integrada – lavoura de cana-de-açúcar, usina de etanol e de fabricação de plástico. Ela deverá funcionar a partir de 2011 e a expectativa é produzir 350 mil toneladas de plástico. Embora o preço do petróleo esteja em baixa, os bioplásticos continuam sendo extremamente atrativos para a indústria. Competitividade de custo e consciência ambiental por parte do consumidor são apenas alguns reflexos deste “movimento verde”, que evidencia o potencial brasileiro na fabricação de etanol e dos plásticos ecológicos.

INOVAÇÕES BIODEGRADÁVEIS

Alguns números assustam. Atualmente, apenas 5% de todo plástico produzido pela indústria mundial é incinerado. O restante continua presente na natureza. É um ciclo vicioso e danoso a todos. Toneladas de lixo permanecem no meio ambiente, levando séculos para se decompor. Grande parte desse plástico acumula-se em aterros sanitários e lixões. Outra parte cai nos bueiros e é arrastado pelos rios até os oceanos, onde se aglomera e acaba por interferir na fauna marinha. Na tentativa de virar esse jogo, as indústrias petroquímicas adotaram o uso de plásticos biodegradáveis, que se decompõem sob a ação do sol, da umidade ou do ar, em prazos que variam de seis meses a dois anos.

A Usina da Pedra, no município de Serrana (SP), é um dos principais polos de produção de plástico derivado da cana-de-açúcar. Lá desde o ano de 2002, sete usinas da PHB Industrial, que detém a marca Biocycle, produzem cerca de 500 mil toneladas de açúcar, além de 800 milhões de litros de álcool por ano. Diferente da Braskem, a PHB produz sua resina através da fermentação do açúcar, e não do etanol. Como resultado, obtém-se um plástico 100% biodegradável.

A fábrica da PHB Industrial tem capacidade para produzir 50 toneladas de plástico verde por ano. O plano de expansão da companhia prevê um aumento de 230 mil toneladas/ano na próxima década. Mundialmente falando, são consumidas 230 milhões de toneladas de plástico todos os anos. Deste total, apenas 0,5% é feito com material renovável, ou seja, esse mercado só tende a crescer. Enganam-se aqueles que acham que a tecnologia utilizada pela PHB é a única disponível no mercado.

O amido de milho também é utilizado na produção de plásticos biodegradáveis. Em 2009, a Bunge Alimentos lançou no Brasil a primeira embalagem biodegradável para alimentos industrializados – a margarina Cyclus foi o produto contemplado com a embalagem sustentável. O pote feito de amido de milho e plástico renovável pode até mesmo ser jogado no lixo orgânico. Sob certas condições de calor e umidade, além da ação das bactérias, a embalagem leva apenas 180 dias para se decompor. A iniciativa da Bunge demandou mais de dois anos de estudo e um investimento de R$ 10 milhões.

Em sua maioria, os plásticos biodegradáveis são constituídos de materiais que, quando descartados de maneira adequada, em condições específicas (em ambiente com micro-organismos, oxigênio e temperatura da ordem de 40 ºC), se transformam em CO2, água e húmus – uma espécie de adubo. De acordo com especialistas da área, o plástico biodegradável carrega duas vantagens relevantes: economiza recurso fóssil e se decompõe muito mais rápido, na medida em que as bactérias decompositoras se familiarizam com ele. Segundo o  Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), cerca de 270 toneladas de bioplástico são fabricadas ao ano no País. As perspectivas futuras são boas. Estima-se que até 2015 esse número chegue a 1 milhão de toneladas.

Nos EUA, essa tecnologia já existe há mais de uma década, sendo o milho a matéria-prima mais utilizada. A NatureWorks, empresa independente que pertence à Cargill, desenvolveu uma resina chamada Ingeo, um dos primeiros plásticos à base de plantas, utilizado na fabricação de roupas, fraldas e embalagens. Atualmente, a NatureWorks tem capacidade para produzir 140 mil toneladas de plásticos biodegradáveis. Outras empresas americanas, como a Metabolix e a Du Pont também estão investindo na produção de plástico feito à base do amido de milho. Na Europa, essa prática também é conhecida. Há mais de 10 anos, a empresa italiana Novant fabrica plásticos e poliéster biodegradável.      

PLÁSTICO VERDE X PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL

Para muitos especialistas, os plásticos produzidos a partir do amido de milho apresentam mais desvantagens se comparados aos plásticos provenientes do etanol da cana-de-açúcar. Além de reduzir a oferta de alimento, caso sejam produzidos em larga escala, os plásticos feitos do amido de milho possuem um custo maior. O quilo do polímero de cana-de-açúcar custa cerca de US$ 5, enquanto o quilo de outros plásticos biodegradáveis, provenientes, por exemplo, da beterraba ou do milho, custa cerca de US$ 14. Esse preço competitivo só é obtido porque as fábricas são autossuficientes. A cana fornece a matéria-prima; o açúcar e o álcool, por sua vez, são utilizados na etapa final da fabricação. Até o bagaço de cana pode ser reaproveitado para gerar energia elétrica e valor, fatores primordiais no processo industrial.

Outra questão bastante discutida gira em torno do desempenho dos plásticos. Os biodegradáveis são menos flexíveis, pouco resistentes e sensíveis à água. Além disso, esse gênero, que libera gás metano ao se decompor nos aterros sanitários, não pode ser facilmente eliminado devido à necessidade de separá-lo do material reciclável tradicional. Por outro lado, os plásticos verdes armazenam, durante muito tempo, o CO2 absorvido na fotossíntese, na medida em que é reciclado e usado de diferentes maneiras. Ao final de sua vida útil, o plástico verde pode ser queimado para a recuperação da energia nele contida.

O coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Casemiro Tércio Carvalho, acredita que a educação ambiental para o consumo e o descarte do produto é mais importante que qualquer “competição” entre os dois plásticos: “As pessoas acham que tudo o que é biodegradável é bom. Isso é uma ilusão. A degradabilidade é boa quando está sob controle, como, por exemplo, em processos de compostagem. Se o plástico não for reciclado em um aterro sanitário, não é bom que seja biodegradável, pois vai gerar gases de efeito estufa no curto prazo.”

De acordo com o Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, a degradação dos plásticos utilizados não é função do meio ambiente. Presunções desse gênero podem retardar a ampliação da consciência ambiental e das estruturas de coleta seletiva e saneamento básico. Na visão da engenheira química Silvia Rolim, assessora técnica do instituto Plastivida, a biodegradabilidade possui aspectos positivos e negativos:  “Se os sacos forem para usinas de compostagem, funciona. Mas como elas são poucas no Brasil, o ganho ambiental é nulo.” Essa “briga” entre os fabricantes e defensores dos plásticos biodegradáveis e os descrentes de seus benefícios ainda deve se prolongar por um bom tempo.

CONSUMO RESPONSÁVEL DE SACOLAS PLÁSTICAS

No fim da década de 50, na ocasião de seu surgimento, as sacolas de plástico eram motivo de orgulho das redes de supermercado e símbolo de status entre as donas de casa. Meio século se passou e tudo mudou. O símbolo da modernidade tornou-se vilã do meio ambiente. A causa? O plástico polui – e muito. No âmbito mundial, 500 bilhões de sacolas de plástico são produzidas a cada ano, o equivalente a 1,4 bilhão por dia ou 1 milhão por minuto. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), são consumidas 12 bilhões de sacolas plásticas anualmente. Cada brasileiro usa, em média,  66 unidades por mês. Por se tratar de um material que leva longo tempo para se decompor, o plástico pode provocar danos irreparáveis ao meio ambiente.

Algumas cidades norte-americanas e países da Europa têm adotado alternativas radicais para a diminuição do impacto ambiental das sacolas plásticas. Em São Francisco, por exemplo, as sacolas plásticas foram exterminadas do mapa – apenas as produzidas à base de milho ou papel reciclado podem ser usadas. Por sua vez, desde 2002 os supermercados ingleses e irlandeses cobram taxas por sacolas utilizadas. E o mais interessante é que o dinheiro dessas taxas é revertido em projetos ambientais. Em alguns estados brasileiros, a utilização de plásticos oxibiodegradáveis tornou-se uma alternativa, pois eles possuem um aditivo químico que, em contato com terra, luz ou água, acelera a decomposição. O prazo de degradação é até 100 vezes menor.

Os supermercados de Curitiba (PR), que consomem 900 milhões de sacolas ao ano, aderiram à novidade.  Em São Paulo a Assembleia Legislativa chegou a aprovar um projeto de lei que tornaria obrigatório o uso dos oxibiodegradáveis, mas ele foi vetado pelo governador do Estado, José Serra, devido a problemas técnicos. O aditivo usado nesse tipo de plástico faz com que a embalagem continue contaminando o ambiente devido ao uso de catalisadores derivados de metais como níquel e manganês.

Representantes da cadeia produtiva do plástico criticam o uso dos oxidegradáveis. Para o presidente do Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, o engenheiro químico Francisco de Assis Esmeraldo, os plásticos oxidegradáveis também são nocivos ao meio ambiente: “No final do processo, o plástico não desaparece, mas sim vira um pó que facilmente acaba parando nos córregos, rios, represas, lagos e mares. Isso significa que nossa geração poderá beber, involuntariamente, plástico oxidegradável misturado à água”. Ainda segundo o presidente do Plastivida, as sacolas plásticas que embalam o lixo, por exemplo, servem de combustível no processamento, o que acarreta em uma economia de óleo diesel e outros derivados do petróleo. “Isso somente é possível devido ao elevado conteúdo energético dos plásticos, pois 1 quilo de plástico produz a mesma energia de 1 quilo de óleo diesel. Em síntese, o plástico é energia; portanto, não desperdice”, conclui.

Em 2008, a rede de supermercados Walmart aproveitou o boom do consumo consciente para lançar a campanha nacional “Saco é um Saco”. A redundantemas inteligente campanha visava alertar a população sobre a importância de se reduzir o consumo de sacolas plásticas. Segundo a assessoria de imprensa do Walmart, a campanha aposta no poder de decisão do consumidor como ação transformadora de hábitos e atitudes. O argumento baseia-se no fato dos sacos plásticos não custarem nada no momento das compras, porém, posteriormente, eles representam um custo que não pode ser mensurado – quando jogados nos rios, bueiros, esgotos ou mesmo no mar, acarretando em severos problemas para a fauna marinha. Nesse contexto, a meta da rede de supermercados é reduzir pela metade o uso de sacolas plásticas em suas lojas até 2013.

Pioneiro em programas de estímulo ao uso consciente de embalagens, o Grupo Pão de Açúcar vem desenvolvendo alternativas práticas  para o  uso  consciente das sacolas plásticas em todas as suas lojas. Até o ano de 2009, a rede de supermercados comercializou mais de 1 milhão de unidades de sacolas retornáveis, contribuindo para a economia de milhões de embalagens plásticas e seu respectivo descarte no meio ambiente. “Fomos os primeiros a destacar a importância e a atuar de maneira bastante pragmática com relação à sustentabilidade no varejo. Trabalhamos fortemente na busca por alternativas viáveis e valorizadas pelos nossos clientes, e o resultado disso é que hoje temos todos os nossos super e hipermercados envolvidos com essa causa”, destaca Paulo Pompilio, diretor de Responsabilidade Ambiental do Grupo Pão de Açúcar.

Segundo o diretor da Associação Brasileira de Embalagens, Mauricio Montoro Groke, a tendência das empresas é se adequar aos modelos de produção sustentáveis e ecologicamente corretos: “A empresa que não tiver isso dentro da sua política, dentro dos seus investimentos, vai estar fora do contexto mundial. E já existem as certificações, as legislações. Então, isso é uma onda muito favorável para todo mundo.”

DE  OLHO NA RECICLAGEM DO PET

Basta um dia de chuva torrencial em São Paulo para se perceber a quantidade de garrafas PET – sigla da resina que as constitui, o tereftalato de polietileno – espalhadas pela cidade. A leveza e a resistência popularizaram o material na década de 1970. E, com o passar dos anos, elas ficaram ainda mais populares.  Para se ter uma ideia, em 11 anos a produção de PET teve um avanço de 275%.  O reaproveitamento do material também vem crescendo. De acordo com o 5° Censo da Reciclagem de PET no Brasil, realizado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET) houve um aumento de 9,5% na quantidade de embalagens PET recicladas em 2008, em comparação com o ano anterior. Em números absolutos, o levantamento registrou números animadores: 253 mil toneladas do produto tiveram um destino ambientalmente adequado. Com esse resultado, o País consolida-se na liderança dessa atividade, à frente de Estados Unidos e da União Europeia. São mais de 500 empresas em todo o Brasil que, juntas, somam um faturamento anual de R$ 1 bilhão.

“O grande impulsionador desse crescimento é o trabalho que a indústria vem fazendo para ampliar a demanda pelo PET reciclado, por meio do desenvolvimento de novas aplicações”, explica Auri Marçon, presidente da Abipet. “Isso reduz a dependência de um único setor e dá a sustentabilidade que o negócio precisa para continuar prosperando”, diz.  O mercado de produtos sustentáveis tem crescido em decorrência do aumento da consciência ecológica dos consumidores. A partir dessa constatação, as empresas que trabalham com matérias-primas ecologicamente corretas estão elevando a sua produção mensal para suprir a demanda. De acordo com uma pesquisa realizada pela Abipet, o uso do plástico na produção de resina estrutural – como, por exemplo, na fabricação de piscinas, caixas d’água ou bancadas de mármore sintético – aumentou 18%. No entanto, o segmento que mais usa o PET reciclado ainda é o têxtil, com 38% de participação.

Essa tendência chegou, inclusive, ao futebol. Neste ano de Copa do Mundo, as camisas da Seleção Brasileira de Futebol serão feitas com um novo tecido, o Dri-FIT, feito a partir de garrafas PET. De acordo com a Nike, patrocinadora oficial da seleção, a utilização do polímero diminuiu em 30% o consumo de energia durante a fabricação.  

Além desses mercados, o produto tem grande presença na indústria automobilística. O plástico está praticamente em 100% dos carros produzidos hoje no Brasil. Por enquanto, o poliéster de PET reciclado é utilizado em todos os carpetes que revestem os veículos incluindo os porta-malas. As montadoras não revelam detalhes, mas em breve o PET reciclado vai revestir portas, o teto e outras partes dos carros.

Apesar do crescimento, o presidente da Abipet lembra que o maior entrave para a ampliação da reciclagem de PET no Brasil é resultante da falta de políticas públicas de coleta seletiva:  “Infelizmente, muitos projetos de ampliação de capacidade continuam suspensos e novos desenvolvimentos para aplicação do PET reciclado não evoluem porque existe carência de embalagens para serem recicladas. Sem um sistema de coleta seletiva, as embalagens acabam no meio ambiente, ao mesmo tempo em que faltam garrafas PET para a indústria reciclar.”

A solução para esse problema está na redução da montanha de PET nos rios e córregos, por meio de um sistema mais eficaz de recolhimento dos recipientes. Cabe às indústrias que os fabricam e utilizam arcar com o ônus de aperfeiçoá-los.

Os plásticos verdes são mais baratos, resistentes, econômicos e poluem menos a natureza.  Já os plásticos biodegradáveis são caros, sensíveis à água, inflexíveis e também poluem o meio ambiente.

 

Fonte: Site Visão Ambiental

http://www.rvambiental.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=398:plastico-ambientalmente-correto&catid=4:interatividade&Itemid=4

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